ESTUDO DE CASO: SÍNDROME DE EISENMENGER

Estudo de caso: 17/02/2017 – 11h45′

Lucas Martins, 36 anos, solteiro, natural da capital de São Paulo, católico, aposentado.

Antecedentes Pessoais: Sindrome de Eisenmenger.

Fisiopatologia da Sd. de Eisenmenger:

A comunicação interventricular (CIV) congênita resulta de defeitos do septo interventricular que é composto de três partes musculares: câmara de entrada, porção trabecular e câmara de saída, além do componente fibroso, denominado septo membranoso.

Manifestações Clínicas – Nas CIVs devido o defeito no septo interventricular o sangue do ventrículo esquerdo, que está em regime de maior pressão, passa para o ventrículo direito durante a sístole ventricular, provocando o chamado “shunt” esquerda/direita. Este volume de sangue a mais que chega no ventrículo direito é ejetado em cada sístole à arvore arterial pulmonar, causando aumento de fluxo sangüíneo para o pulmão (hiperfluxo pulmonar). Ao longo do tempo, este regime maior de fluxo para o pulmão acaba provocando aumento da pressão nas artérias pulmonares (normal de 35 a 40 mmHg) e posteriormente aumento da resistência vascular pulmonar causando nos graus extremos a chamada Síndrome de Eisenmenger.
As hemoptises estão relacionadas ao aumento da pressão pulmonar, diminuição da hematose, aumento do número de hematócritos no sangue e congestão pulmonar.

Histórico:
Rosana Martins, mãe de Lucas, refere que há 2 semanas o filho vem piorando o quadro de cansaço, cianose e falta de ar, refere que o filho emagreceu aproximadamente 10kg em 1 mês estando no momento com 45kg / 1,78 altura. Hoje pela manhã, percebeu que o filho não havia levantado da cama, e quando foi chamá-lo verificou que o lençol da cama estava com diversas manchas de sangue com pequenos coágulos que seu filho havia expelido pela boca ao tossir. Foi quando Rosana solicitou o serviço do SAMU.

Admissão:
Paciente proveniente da residência, trazido pela equipe do SAMU, deu entrada no setor de emergência do Hospital de Cardiologia de São Paulo com rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow – ECG = 6), bradipneico com cianose central, hipertermia e sinais de choque cardiogênico + séptico sem foco indefinido, taquicardia e hipotensão, estase jugular 3+/4+ em decúbito 30°.

Conduta:
Encaminhado imediatamente para a sala de emergência, monitorizado, puncionado acesso venoso calibroso periférico em membro superior direito, coletado exames laboratoriais + gasometria arterial, venosa e 1 par de hemocultura e iniciado antibioticoterapia profilática, preparado material e realizado intubação orotraqueal com cânula n°7.5 (Mantendo parâmetros de ventilação: A/C, Fr 20, Peep 12, Fio2 100%). Realizado eletrocardiograma de 12 derivações que evidenciou taquicardia sinusal + sobrecarga de VD sem alterações agudas e RX de tórax após a intubação, com imagem de “árvore podada”, congestão de hilo e ausência de vasos pulmonares periféricos, cardiomegalia com aumento de VD e cânula endotraqueal bem posicionada.

Sinais Vitais de entrada:

T° 37.9°C
FR: 8 incurssões por minuto
sPO2: 64% em ar ambiente
FC: 136bpm
PAS: 85mmHg
PAD: 43mmHg
PAM: 40mmHg
Glicemia Capilar: 98mg/dl

Exame físico de entrada:

MEG, ECG=6, pupílas isofoto+;
AP: MV presente, simétrico, bradipneico, ausculta crepitante em base bilateral;
ACV: RCR 2t, com sopro contínuo 2+/6+ em BEEA com irradiação para dorso e sopro holossistólico em BEEB;
Abd: escavado, emagrecido, flácido, fígado 2cm RCD, sem massas;
Extremidades: frias, cianóticas, pulsos periféricos presentes nos 4 membros, simétricos, filiformes, TEC<3s.

 

Principais diagnósticos de enfermagem (NANDA 2017)

HIPERTERMIA (caracterizado pelo aumento da temperatura corporal central normal, relacionado pelo processo inflamatório/infeccioso sistêmico).

RISCO DE OLHO SECO (relacionado à incapacidade de piscar o olho e devido ao rebaixamento do nível de consciência e à ventilação mecânica).

RISCO DE QUEDAS (relacionado ao rebaixamento do nível de consciência, risco de confusão aguda por hipoxemia ou alterações eletrolíticas etc).

RISCO DE SANGRAMENTO (relacionado ao rompimento de alveolocapilares devido à hipertensão pulmonar e à procedimentos invasivos).

RISCO DE ÚLCERA POR PRESSÃO (relacionado ao déficit no auto cuidado para mudança de decúbito devido ao regime terapêutico; relacionado à imobilização física no leito; relacionado à redução da oxigenação tissular, relacionado à nutrição desequilibrada e ao aumento da possibilidade de pressão sobre proeminência óssea).

RISCO DE ASPIRAÇÃO (relacionado ao nível de consciência reduzido, reflexo de engasgo diminuído, presença de cânula endotraqueal, etc).

DESOBSTRUÇÃO INEFICAZ DE VIAS AÉREAS (caracterizado por dispneia, dificuldade de verbalização, dificuldade em expelir secreções brônquicas, relacionado à hemoptise).

CONFUSÃO AGUDA (caracterizado pela baixa concentração de O2 no sangue, relacionado ao desequilíbrio na ventilação/perfusão).

VENTILAÇÃO ESPONTÂNEA PREJUDICADA (caracterizado pelo uso da musculatura esquelética podendo levar à fadiga respiratória, pressão parcial de dióxido de carbono PCO2 aumentada, saturação de oxigênio diminuída etc).

PADRÃO RESPIRATÓRIO INEFICAZ (caracterizado pela inspiração/expiração que não proporciona ventilação adequada, relacionado à fadiga respiratória, desequilíbrio na ventilação/perfusão, hipertensão pulmonar etc).

TROCA DE GASES PREJUDICADA (caracterizado pelo déficit na oxigenação e/ou eliminação de dióxido de carbono na membrana alveolocapilar, relacionado ao desequilibrio na relação ventilação/perfusão).

MOBILIDADE NO LEITO PREJUDICADA (caracterizado pela incapacidade de reposicionar-se na cama, relacionado ao rebaixamento do nível de consciência, à intubação endotraqueal e ao regime terapêutico).

NUTRIÇÃO DESEQUILIBRADA: MENOR DO QUE AS NECESSIDADES CORPORAIS (caracterizado pelo peso do corpo 20% ou mais abaixo do ideal, relacionado à ingestão alimentar insuficiênte, incapacidade de absorver alimentos etc).

PROTEÇÃO INEFICAZ (caracterizado pela imobilidade, diminuição do nível de consciência, relacionado ao regime terapêutico).

Estes são alguns diagnósticos de enfermagem, relacionados ao caso acima, que foram destacados para auxiliar o enfermeiro nas tomadas de decisão sobre as condutas a serem implementadas.
Há diagnósticos que dizem respeito ao tratamento imediato, que são os principais diagnósticos que alterarão o prognóstico do doente e também os diagnósticos secundários, que são utilizados para manutenção do tratamento do doente, cabe ao enfermeiro analisar a situação e implantar as condutas corretas no momento certo.

Espero que tenham gostado, e quem quiser, comente no final deste post que eu acrescento as prescrições de enfermagem relacionadas à cada diagnóstico.

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