ALCALOSE METABÓLICA

ALCALOSE METABÓLICA

RESUMO GERAL

Os distúrbios do equilíbrio ácido-base podem ser de origem metabólica ou respiratória.

A alcalose metabólica é um distúrbio pouco frequente, na prática clínica, em relação aos demais distúrbios. Em geral, a alcalose metabólica ocorre em uma de duas circunstâncias:

  1. Quando há excesso de bases, geralmente por administração intempestiva de bicarbonato de sódio, para corrigir acidose pré-existente;
  2. Quando há perda de ácidos fixos, como pode ocorrer na estenose pilórica em que o ácido clorídrico do estômago é perdido através os vômitos.

As bases em excesso nos líquidos captam os íons hidrogênio; o pH se eleva. O bicarbonato real está elevado e o excesso de bases supera o valor de +2mEq/L.

A eliminação acentuada de íons hidrogênio por uso de diuréticos, também pode causar alcalose metabólica.

A gasometria arterial mostra o pH acima de 7,45, o bicarbonato real superior a 28mM/L e um BE maior que +2.

O tratamento da alcalose metabólica consiste em atuar sobre as causas primárias do distúrbio.



CONCEITOS GERAIS

Os principais distúrbios do equilíbrio ácido-base são de origem respiratória ou metabólica. Quando há acúmulo de bases no organismo, em relação à quantidade de ácidos a serem neutralizados, configura-se o quadro da alcalose metabólica. Isto pode ocorrer em consequência de ganho real de bases ou em consequência da perda de ácidos. Este distúrbio não é muito frequente na prática médica; a alcalose metabólica é, frequentemente, produzida pela administração vigorosa ou intempestiva de álcalis, como o bicarbonato de sódio, com a finalidade de tamponar acidoses pré-existentes.


CAUSAS DE ALCALOSE METABÓLICA

A alcalose metabólica pode surgir em duas circunstâncias principais:

  1. Ganho excessivo de bases. Em geral as bases em excesso são administradas aos pacientes, sob a forma de bicarbonato de sódio, com o intuito de tamponar acidose pré-existentes. Com o manuseio adequado dos demais distúrbios do equilíbrio ácido-base, essa causa de alcalose metabólica se torna cada vez mais rara.
  2. Perda de ácidos ou íons hidrogênio. A perda de íon hidrogênio mais comum ocorre na estenose pilórica, onde os vômitos produzidos pela dilatação do estômago eliminam grande quantidade de ácido clorídrico. O uso imoderado de diuréticos também acentua a eliminação de íons hidrogênio pela urina e pode produzir alcalose metabólica.


Nas alcaloses os íons hidrogênio e potássio são trocados pelos íons sódio; pode, portanto, ocorrer hipopotassemia associada nas alcalose metabólicas.


ALTERAÇÕES DA FISIOLOGIA

Quando ocorre um excesso de bases, estas captam os íons hidrogênio, cuja concentração fica menor; o pH se eleva. As bases em excesso reagem com o ácido carbônico, produzindo bicarbonato e outros. O bicarbonato total e o bicarbonato standard se elevam.


A perda de íons hidrogênio também eleva o pH. O bicarbonato deixa de ser reabsorvido do filtrado glomerular e a urina se torna mais alcalina. 


QUADRO LABORATORIAL

Os resultados da gasometria arterial permitem o diagnóstico da alcalose metabólica:

  1. O pH está elevado, superior a 7,45;
  2. A PaCO2 está normal; não há interferência respiratória na produção do distúrbio;
  3. O bicarbonato real está elevado, acima de 28mM/L;
  4. Há um excesso de bases (BE), superior a +2mEq/L.


COMPENSAÇÃO DA ALCALOSE METABÓLICA

O mecanismo de compensação respiratória é pouco expressivo, nas alcaloses respiratórias. A redução da eliminação de dióxido de carbono produziria hipóxia concomitante; como o centro respiratório é extremamente sensível ao teor de CO2, esta compensação é limitada.


Os rins diminuem a produção de amônia e trocam menos ión hidrogênio por sódio, para permitir sua maior eliminação. A reabsorção tubular do íon bicarbonato também fica deprimida. A urina resultante é bastante alcalina.


TRATAMENTO DA ALCALOSE METABÓLICA

De um modo geral a alcalose metabólica é leve ou moderada e não requer tratamento especial a não ser a remoção da sua causa, quando possível. A reposição líquida nos casos de estenose pilórica, com frequência contribui para normalizar o total das bases. O uso mais moderado dos diuréticos e a administração de cloreto de potássio tendem à normalizar os demais quadros.


Em casos excepcionais, a alcalose metabólica é tão severa que pode justificar a necessidade de se administrar soluções de ácidos por via venosa. Nesses raros casos usam-se soluções de ácido clorídrico. Essas soluções, contudo, não existem em nosso mercado.
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Fonte:

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