Evolução de um paciente com Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT) no pronto socorro

Evolução de um paciente com Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT) no pronto socorro

ADMISSÃO:

23/06/2016 – 21h15’ Paciente José Augusto, 65 anos, brasileiro, natural de João Pessoa – PB, casado, aposentado.
Antecedentes Pessoais (AP): HAS, DM, DLP, Tabagista 60 anos/maço, Angioplastia de CD eletiva (Hospital do Coração de SP – 2003), nega IAM.

Medicamentos em uso: AAS, Enalapril, Carvedilol, Atorvastatina, Metformina, Furosemida.

Paciente proveniente da Santa Casa com quadro de BAVT. Refere que estava em casa as 13h em repouso ao se levantar para ir ao banheiro teve um episódio de síncope com pródromos (sudorese e náusea) que durou cerca de 10 segundos até retornar o nível de consciência. Refere que já vinha apresentando dispnéia progressiva aos esforços associado a ortopnéia (2 travesseiros) e edema de MMII. A queda foi sem lesões, em seguida o resgate foi acionado e encaminhado o paciente para a Santa Casa. Paciente chega na Santa Casa por volta das 14h50’ bradicardico FC: 33bpm porém hemodinamicamente estável PA: 126/88 e Saturação de O2-98% em ar ambiente. Realizado ECG que constatou BAVT, realizado teste de atropina com 1mg com resultado negativo para intoxicação por betabloqueador, feito contato com o plantão controlador e encaminhado paciente para esta unidade.

Exame físico: Consciente e orientado em tempo e espaço, Glasgow 15, eupneico em ar ambiente, hemodinamicamente estável sem uso de drogas vasoativas, em repouso absoluto no leito 30°, grades elevadas.

Monitorizado, mantém jelco n°16 MSD (23/05) salinizado e sem sinais flogísticos.

Tórax simétrico com expansibilidade bilateral preservada MV+ sem ruídos adventícios, ritmo cardíaco em BAVT, bulhas normofonéticas (BNF) sem sopro, abdome plano, flácido e indolor a palpação, sem massas ou viceromegalias (VMG), extremidades quentes e bem perfundidas TEC<3s, pulsos cheios e simétricos, com edema de MMII 2+/4+, panturrilhas livres.

Nega alergias.

 

Aos parâmetros vitais:

  • T° 36.5
  • FR 16ipm
  • FC 30bpm
  • PA 122/78mmHg
  • SAT 99%
  • GLICEMIA CAPILAR: 97mg/dl (Paciente em jejum)

 

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM:

  • RISCO DE DÉBITO CARDÍACO DIMINUÍDO
  • RISCO DE QUEDA
  • RISCO DE CONSTIPAÇÃO
  • RISCO DE INFECÇÃO

 

PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM:

  • Verificar, anotar e comunicar alteração dos SSVV;
  • Verificar, anotar e comunicar sinais e sintomas de baixo débito cardíaco (náusea, sudorese, palidez cutânea, hipotensão);
  • Verificar, anotar e comunicar sintomas de precordialgia;
  • Monitorização cardíaca contínua;
  • Instalar CNO2-2L/minutos se saturação de O2<95%;
  • Manter repouso absoluto no leito 30°, com grades elevadas constantemente;
  • Realizar banho no leito;
  • Verificar, anotar e comunicar eliminações fisiológicas;
  • Manter jejum até segunda ordem.

 

INTERCORRÊNCIA:
24/06/2016 – 19h00’ (Em tempo) – Anotação de enfermagem:
Paciente apresenta sintomas de baixo débito cardíaco (náusea, hipotensão e palidez cutânea), encaminhado para a sala de emergência imediatamente para ser submetido à implante de marca-passo transcutâneo (MPTC) e após marca-passo transvenoso (MPTV).

 

NA SALA DE EMERGÊNCIA:

19h02’ Recebo paciente na sala de emergência descorado, sonolento, com sintomas de baixo débito cardíaco. Monitorizado com aparelho cardiodesfibrilador, acoplado ao seu tórax pás de MPTC, iniciado 60bpm com 5mA em modalidade demanda, apresentando boa captura. Paciente apresenta melhora da frequência cardíaca, não sendo necessário a instalação de drogas vasoativas (DVAS). Realizado analgesia intermitente com morfina 2mg EV e preparado paciente para a passagem do MPTV.

 
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM:

  • DOR AGUDA
  • RISCO DE INTEGRIDADE DA PELE PREJUDICADA (possível queimadura pelas pás de MPTC)
  • RISCO DE CHOQUE
  • DÉBITO CARDÍACO DIMINUÍDO

 

PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM:

  • Realizar analgesia COM avaliando nível da dor a cada 1h;
  • Avaliar o entorno das Pás de MPTC presença de hiperemia e comunicar equipe médica;
  • Realizar monitorização cardíaca contínua e comunicar se FC<50bpm;
  • Administrar antieméticos se náusea/vômito COM;
  • Realizar tricotomia de região torácica sem desconectar as pás de MPTC;
  • Manter jejum até segunda ordem;

 

MATERIAIS PARA PASSAGEM DE MPTV:

  • CABO-ELETRODO DE MPTV FLEXÍVEL (5F / 6F);
  • GERADOR DE MP COM BATERIA EXTRA;
  • FIOS PARA CONECÇÃO DO CABO AO GERADOR;
  • FIOS DE SUTURA;
  • ANESTÉSICOS LOCAIS;
  • ROUPA ESTÉRIL, CAMPO ESTÉRIL, MÁSCARA, LUVAS ESTÉRIL, GORRO ETC.
  • GAZE ESTÉRIL E FITAS ADESIVAS;
  • MONITOR CARDÍACO (DE PREFERENCIA UM DEA)
  • MATERIAL PARA INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL;
  • CARRINHO DE EMERGÊNCIA COM DROGAS PARA REANIMAÇÃO.

 

APÓS A PASSAGEM DO MPTV:
20h00’ Paciente se mantém estável hemodinamicamente, realizado passagem do MPTV em veia jugular direita (VJD) com 2 tentativas de punção, utilizado eletrodo 5F, demanda de 60bpm e sensibilidade real de captura de 3mA. Realizado curativo oclusivo com gaze estéril e esparadrapo micropore, sem presença de sangramento ou hematoma local.

Paciente mantém pás de MPTC desligadas, solicito novo ECG e RX de tórax.

 

Parâmetros vitais:

  • FC: 60bpm
  • FR: 20ipm
  • PA: 132/85(72)mmHg
  • Saturação de O2: 99% em uso de CNO2-2L/minutos
  • Glicemia Capilar: 89mg/dl

 

DIAGNÓSTICOS DE ENFERMGEM:

  • RISCO DE INFECÇÃO
  • RISCO DE SANGRAMENTO
  • RISCO DE GLICEMIA INSTÁVEL

 

PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM:

  • Verificar, anotar e comunicar alteração dos SSVV;
  • Verificar, anotar e comunicar sinais e sintomas de baixo débito cardíaco (náusea, sudorese, palidez cutânea, hipotensão);
  • Verificar, anotar e comunicar sintomas de precordialgia;
  • Monitorização cardíaca contínua;
  • Instalar CNO2-2L/minutos se saturação de O2<95%;
  • Manter repouso absoluto no leito 30°, com grades elevadas constantemente;
  • Realizar banho no leito;
  • Verificar, anotar e comunicar eliminações fisiológicas;
  • Manter jejum até segunda ordem;
  • Manter eletrodo de MPTV em local seguro e sempre visível para evitar tração e deslocamento do cabo;
  • Avaliar sinais de sangramento ou sinais flogísticos na inserção do eletrodo;
  • Realizar troca do curativo do MPTV após o banho, realizando antissepsia com clorexidine alcoólico + gaze estéril e esparadrapo micropore.

You might also like

ESTUDO DE CASO: DIAGNÓSTICOS E PRESCRIÇÕES DE ENFERMAGEM

ESTE ESTUDO DE CASO É UMA HISTÓRIA REAL PORÉM OS DADOS FORAM MODIFICADOS PARA PRESERVAR A INTEGRIDADE DOS ENVOLVIDOS. Estudo de caso real: 30/01/2017 – 20h30’ Patricia Leite, 7 anos,

Questões sobre Sistema Respiratório

1. O sistema respiratório tem função de ofertar oxigênio ao organismo e expelir gás carbônico. O principal músculo que auxilia o processo respiratório é:   a) esternocleidomastoideo.  b) diafragma.  c)

ESTUDO DE CASO: SÍNDROME DE EISENMENGER

Estudo de caso: 17/02/2017 – 11h45′ Lucas Martins, 36 anos, solteiro, natural da capital de São Paulo, católico, aposentado. Antecedentes Pessoais: Sindrome de Eisenmenger. Fisiopatologia da Sd. de Eisenmenger: A

2 Comments

  1. popular Bunda extensa
    junho 17, 14:21 Reply
    Conheço à pouco tempo sua página mas já gostei muito. Espero que continua com novidades e novas postagens.

Leave a Reply