INFECÇÃO DE URINA NA GRAVIDEZ

INFECÇÃO DE URINA NA GRAVIDEZ

A infecção urinária, definida como a presença e a multiplicação de microorganismos patogênicos no trato urinário, constitui uma das mais frequentes complicações da gestação e é a mais comum de todas as infecções bacterianas. Ocorre em todas as faixas etárias, e tem especial impacto em mulheres de qualquer idade e na presença de anormalidades funcionais ou estruturais do trato urinário. A associação entre infecção do trato urinário e a piora do prognóstico gestacional é bastante conhecida. Trabalho de parto e parto pré-termo, ruptura prematura de membranas amnióticas, crescimento intrauterino deficiente, baixo peso ao nascer e óbito perinatal estão entre as complicações gestacionais relacionada com a presença das infecções urinárias. As infecções do trato urinário (ITU) são 14 vezes mais frequentes em mulheres do que em homens, este fato se deve provavelmente a variáveis exclusivas da mulher, que facilitam o surgimento de infecção urinária aguda:
 
  • Uretra curta;
  • Contaminação contínua do terço inferior da uretra por bactérias patogênicas provenientes da vagina e do reto;
  • Alta probabilidade das mulheres não esvaziarem completamente a bexiga;
  • Movimentos de bactérias para o interior da bexiga durante o intercurso sexual.
 
Importante realçar que a infecção urinária aguda pode ser sintomática (cistite e pielonefrite) ou assintomática (bacteriúria assintomática) e que a morbiletalidade materna e perinatal varia segundo cada forma clínica da infecção.


Influência do Ciclo Gravídico nas ITU
 
As modificações anatômicas e funcionais renais que ocorrem naturalmente na gravidez explicam muitas das peculiaridades na apresentação clínica, resposta ao tratamento e potenciais complicações das infecções do trato-urinário na gestação.
 
Anatomicamente ocorre aumento do tamanho dos rins, dilatação e hipotonia dos sistemas pielocaliciais e ureteres, além de modificações na bexiga. O aumento volumétrico dos rins se deve ao volume vascular renal aumentado, à capacidade aumentada do sistema coletor e à hipertrofia renal.
 
A dilatação do sistema pielocalicial e dos ureteres é decorrente do aumento dos níveis de progesterona e é conhecida como “hidronefrose fisiológica da gravidez”, facilmente demonstrada no exame ultra-sonográfico em até 80% das gravidas. Ocorre a partir da 7º semana de gestação, retornando ao normal entre a 4º e a 8º semana após o parto em mais de 90% das vezes. A persistência da dilatação pielocalicial e ureteral após 12 semanas está presente em 6% das puérperas.
 
A dilatação ureteral é maior à direita em decorrência da destro-rotação uterina e do ângulo mais fechado do ureter direito no seu trajeto até a cavidade pélvica. Os ureteres aperistálticos chegam a conter em torno de 200ml de urina. Também a bexiga sofre redução progressiva em seu tônus, em consequência das alterações hormonais, praticamente dobrando a sua capacidade de armazenamento nos períodos finais da gestação. Ocorre, ainda, deslocamento vesical, anterior e superior, alargamento da base da bexiga e com hiperemia da mucosa e hipertrofia muscular.  A bexiga deixa de ser um órgão pélvico e passa a se situar na cavidade abdominal.
 
O aumento dos níveis de estrogênio possivelmente desempenha importante papel na maior susceptibilidade às infecções urinárias na gravidez, já que algumas cepas “pielonefríticas” de 
Escherichia coli, têm a sua colonização facilitada pelo hiperestrogenismo.
 
A  diminuída atividade da resposta inflamatória da mucosa vesical, resultante da redução da atividade sérica das imunoglobulinas IgG, IgA e IgM, da atividade urinária da IgG e da IgA e da baixa resposta da interleucina-6, provavelmente está implicada na maior frequência e na gravidade das pielonefrites agudas na gravidez.
 
Acrescente-se, aos fatores de risco anteriormente relacionados, aqueles encontrados no parto e que ocorrem para que a prevalência da infecção urinária aguda no puerpério esteja aumentada.
 
  • Cateterização uretral da bexiga, desnecessária e/ou mal conduzida;
  • Exames vaginais em exagero ou realizados sem os cuidados adequados;
  • Trauma de trajeto nos partos vaginais.
 

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