MATURAÇÃO PULMONAR FETAL

MATURAÇÃO PULMONAR FETAL

ETAPAS DA MATURAÇÃO PULMONAR FETAL
 
O desenvolvimento do pulmão fetal se faz em quatro etapas, que vão de 5 semanas de gravidez à primeira infância, na idade escolar.
 
 
PRIMEIRA ETAPA (PERÍODO PSEUDOGLANDULAR)
 
A primeira etapa corresponde ao período pseudoglandular e se processa de 5 a 16 semanas de gestação. Ao final desse período, apenas as estruturas envolvidas nas trocas gasosas não estarão formadas. A respiração fetal ainda não é possível.
 
Caracteriza-se por:
  • Formação de todos os condutos aéreos;
  • Aparecimento do esboço dos ácinos alveolares;
  • Desenvolvimento de tecido cartilaginoso na árvore traqueobrônquica;
  • Revestimento proximal por epitélio cilíndrico;
  • Revestimento distal por epitélio cubóide;
  • Surgimento dos cílios epiteliais.


 
SEGUNDA ETAPA (PERÍODO CANALICULAR)
 
A segunda etapa corresponde ao período canalicular, e ocorre de 16 a 24 semanas de gestação. Ao final desta etapa as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, embora imaturas, já estão formadas. A respiração já é possível, apesar de limitada.
 
Caracteriza-se por:
 
  • Aumento da luz dos brônquios e dos bronquíolos terminais;
  • Formação dos bronquíolos respiratórios e ductos alveolares a partir dos bronquíolos terminais;
  • Desenvolvimento de sacos terminais (alvéolo primitivo) a partir dos bronquíolos respiratórios;
  • Diferenciação de células dos ácinos em pneumócitos I e II (24 semanas). O pneumócito tipo I é responsável pelas trocas gasosas e o tipo II pela produção de surfactante;
  • Inicio da produção de surfactante.
 
 
TERCEIRA ETAPA (PERÍODO SACULAR)
 
A terceira etapa corresponde ao período sacular e acontece de 24 semanas de gestação até o nascimento.
 
Caracteriza-se por:
 
  • Expansão importante do espaço respiratório, com grande formação de sacos terminais, também chamados de alvéolos primitivos;
  • Adelgaçamento do epitélio dos sacos terminais;
  • Aumento da vascularização das vias aéreas.
 
 
QUARTA ETAPA (PERÍODO ALVEOLAR)
 
A quarta etapa corresponde ao período alveolar, e ocorre do nascimento até a idade escolar.
 
Caracteriza-se por:
 
  • Reduzida espessura da membrana alvéolo-capilar, permitindo as trocas gasosas;
  • Aumento do número de alvéolos primitivos até o oitavo ano de vida;
  • Expansão pulmonar após o nascimento onde o alvéolo pulmonar aumenta e se torna maduro.
 
 
FLUIDO PULMONAR
 
A partir do período canalicular, os pulmões do concepto passam a produzir o fluido pulmonar, que ocupa todo o órgão e é levado para o líquido amniótico pelos movimentos respiratórios fetais, contribuindo para o volume e para a composição do líquido âmnico.
 
A composição química do fluido pulmonar inclui: cloreto em altos níveis e varia pouco durante toda a gestação. No final da gravidez, observa-se aumento na produção de surfactante, com conseqüente diminuição da produção do fluido pulmonar.
 
A terça parte do fluido pulmonar é expelida durante o parto vaginal pela compressão do tórax fetal, o restante é absorvido no pós parto pelos linfáticos e capilares pulmonares. Caso essa absorção não ocorra de forma adequada e provoque acúmulo de líquido no pulmão, o recém-nascido pode evoluir com taquipnéia transitória.
 
 
O SURFACTANTE
 
O surfactante, substância produzida pelo pulmão fetal, surge por volta das 20 semanas de gravidez e alcança produção máxima e ação plena no final do período fetal, próximo ao nascimento. É de fundamental importância na fisiologia respiratória do neonato e tem como principal função, diminuir a tensão superficial dos alvéolos para que eles não colabem quando arejados pelos primeiros movimentos respiratórios do recém-nascido.
 
Segundo a lei de Laplace, a pressão necessária para que os alvéolos se insuflem é menor nos menores alvéolos, fazendo com que os maiores , sensíveis a menor pressão, se expandam em detrimento dos menores, que colabam. O surfactante diminui a tensão superficial intra-alveolar igualando a pressão necessária para ventilar tanto os grandes quanto os pequenos alvéolos.
 
O surfactante é composto basicamente por lipídios (90%) e por proteínas.
 
Uma dúvida muito comum que muitas pessoas se perguntam é: por que será que é melhor que o feto nasça no 7º ou 9º mês de gestação do que no 8º mês de gestação?
Resposta: vou explicar de uma forma bem resumida e rápida: Na 20º semana de gravidez, (por volta do 6º mês de gestação) se inicia a formação do surfactante, nessa fase o bebê tem um determinado peso, um determinado biótipo e uma característica específica. O seu pulmão está praticamente todo formado e quase pronto para respirar, pois a relação (quantidade de surfactante já formado x tamanho da estrutura do pulmão do feto e do corpo do feto) estão proporcionais, porém ainda não é recomendado o seu nascimento por outros motivos, mas em caso de sofrimento fetal ao ponto de ter que optar por retirar o feto, essa é a melhor hora. No 8º mês de gestação, o feto tem um rápido crescimento de tamanho, fase em que o bebê ganha peso com mais rapidez, porém, nessa fase a produção de surfactante não acompanha a fase de crescimento do bebê, fazendo com que a proporção (surfactante x tamanho do pulmão) não seja suficiente, e isso, em algumas situações, faz com que não seja favorável o nascimento do bebê no 8º mês de gestação. Já no 9º mês de gestação tudo volta ao normal, acelera-se a produção de surfactante e a relação (surfactante x tamanho do pulmão) se estabiliza e o bebê pode nascer tranqüilamente.

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3 Comments

    • admin
      junho 26, 15:45 Reply
      Referência: NETTO, H. C.; MOREIRA DE SÁ, R. A. Obstetrícia Básica - 2° edição, Ed. Atheneu, Rio de Janeiro - 2008.

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